Câmara de Ibitinga debate soluções para descarte de resíduos têxteis e crise na gestão de lixo
A Câmara Municipal da Estância Turística de Ibitinga realizou, na noite de 31 de março de 2026, uma audiência pública para discutir o descarte de resíduos sólidos e têxteis no município. O debate, organizado pela Comissão de Serviços Públicos e Ocupação do Solo (COSP), reuniu vereadores, secretários municipais, empresários do setor de caçambas e pesquisadoras da Universidade de São Paulo (USP) para buscar soluções diante da interdição do transbordo local pela Cetesb e do impacto ambiental causado pelo setor industrial.
Potencial da economia circular
Um dos pontos centrais da audiência foi a apresentação de propostas para a implementação da economia circular em Ibitinga, polo nacional da indústria têxtil. As professoras Regina Aparecida dos Santos e Francisca Dantas Mendes, da USP, detalharam resultados de pesquisas iniciadas em 2020 que comprovam a viabilidade de transformar retalhos e sobras de produção em nova matéria-prima.
Segundo a professora Regina, a "desfibragem" (processo que desmancha tecidos para criar novas fibras) permite que o resíduo retorne à cadeia produtiva como fios, mantas para edredons ou enchimentos. "Ao invés de descartar no meio ambiente ou mandar para aterros, reinserimos o material na cadeia para produzir produtos sustentáveis", explicou. O investimento em maquinário para esse fim foi classificado como baixo em relação aos benefícios econômicos e ambientais.
Crise do lixo e fiscalização
A gestão dos resíduos sólidos urbanos também dominou o debate. Secretários municipais confirmaram que o transbordo de Ibitinga foi interditado pela Cetesb em 22 de janeiro de 2026, após a aplicação de cerca de 18 multas acumuladas desde 2018, que somam aproximadamente R$ 140 mil. Atualmente, o lixo do município está sendo destinado ao aterro sanitário de Catanduva, o que gera custos extras de transporte para a prefeitura.
Vereadores criticaram a falta de estrutura para a fiscalização e a ausência de um Plano Municipal de Gestão de Resíduos Sólidos atualizado. "Podemos ter 50 fiscais, mas se eles não tiverem condições de trabalho, como talão de multas, carro ou computador, de nada vai adiantar", afirmou o vereador Murilo Bueno. Houve também questionamentos sobre a falta de campanhas educativas e a demora na regulamentação de ecopontos previstos em lei.
Setor de caçambas reivindica apoio
Representantes das empresas de caçambas relataram dificuldades operacionais após a proibição do descarte de entulho misturado. José Augusto, empresário do setor, afirmou que a categoria está sendo prejudicada pela falta de um centro de triagem municipal e pela ausência de orientação à população. "O problema de sujar a cidade começa na falta de educação do povo e na falta de alternativa para o descarte", pontuou o empresário, alertando para o aumento de descartes clandestinos em estradas rurais.
O secretário de Serviços Públicos, Laércio Moretti, e o secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Claudinei Rezador, afirmaram que o governo municipal busca intensificar a propaganda institucional para conscientizar a população e estuda parcerias para viabilizar a triagem de resíduos.
Próximos passos
Ao final da sessão, o presidente da COSP, vereador José Aparecido da Rocha, enfatizou que o resíduo têxtil deve ser visto como investimento e não como despesa. A comissão deverá elaborar um relatório com as sugestões apresentadas, incluindo a proposta de cooperação tecnológica com a USP, para ser encaminhado ao Poder Executivo. "Precisamos terminar este mandato com um avanço concreto para mudar a realidade ambiental de Ibitinga", concluiu o parlamentar.
